::::::::::::::::: Especial 2009 de charges: Sarney :::::::::::::::::
Muito antes de José Ribamar Sir Ney ser o senador dos atos secretos, dos mil empregos para mil parentes, das contas fantasmas e da farra com o dinheiro público, ele já era figurinha carimbada do feudalismo nordestino. Ao longo dos últimos 50 anos, ele se consolidou como o mais célebre oligarca da política brasileira. Depois de deixar sua marca como o presidente da hiperinflação nos anos 80, ele dedicou os anos seguintes a controlar, via congresso nacional, seus feudos políticos. Ao presidir o senado pela terceira vez, ficaram expostas as rachaduras de décadas de coronelismo e fisiologismo, patrocinados por ele pelo PMDB.
Para entender como Sir Ney retornou aos holofotes, vale a pena voltar a fevereiro de 2009, quando ocorreram as eleições no congresso. Para não ficar muito chato, você acompanha aqui a saga toda em forma de charges. Lá vamos nós.
Garibaldi Alves (também do PMDB) presidia o senado substituindo o ilibado Renan Calheiros que, entre laranjas, bois e pensões para amantes, tinha renunciado ao cargo em 2007. Sir Ney começou a ser cortejado por diversas alas do partido para sucedê-lo na presidência do senado .

Não demoraria muito para governo e parte da oposição engrossarem o coro “Ribamar, Ribamar!”. Mesmo com um candidato do PT no páreo, Sir Ney ganhou apoio total de Lula. Restava cooptar os tucanos, que, para variar, estavam em cima do muro...

Não adiantou nada o senador Jarbas Vasconcelos reclamar. O fisiologismo e a corrupção
eram muito maiores do que uma voz solitária e combalida dentro do partido...
O PMDB não só levou o senado, com Sir Ney, como também levou a câmara dos deputados,
com Michel Temer. E o nosso mamute fisiológico engordava mais algumas arrobas...
Assim, nosso senhor feudal comemorava mais uma vitória, nos braços dos
coronéis DEMófobos, a grande noiva da ocasião...
Mas o começo foi difícil para o nosso herói. Não demoraria muito para que fossem
descobertos cargos e diretorias criadas apenas para acomodar uma gulosa base política.

Assim, seriam necessários vários cortes nas diretorias do Senado para dar uma enxugada na casa. Mesmo com a ameaça, o bigode de nosso Ribamar continuava vasto e vistoso.

Mas aí, uma reviravolta. Com a CPI da Petrobrás, Sir Ney vislumbrou que os holofotes da imprensa abandonariam o seu quintal político. Com a briga entre governo e oposição pelo controle da CPI, as ratazanas do PMDB aguçaram seus apetites por mais cargos no “pré-sal” da Petrobras.

E o destino dessa CPI parecia tomar o mesmo rumo de todas as outras já feitas na terra do “nunca antes nesse país”. Para comprar a pizza, o principal ingrediente do PMDB era usar seu poder no governo para conter a crise do senado. Depois de olharem o cardápio, fizeram o pedido a Renan Calheiros, o pizzaiolo-chefe do congresso: meia Petrobras, meia ONGs...

Parecia que acabaria ali, mas Sir Ney ainda enfrentaria outros percalços. Depois das diretorias e das ligações libidinosas com um certo Agaciel (Leicaga, ao contrário — o nome já diz tudo), foram descobertos vários parentes do clã de Ribamar recebendo salário do Senado. O jeito era varrer a sujeira para debaixo do bigode, né?

E finalmente Sir Ney encontrou um aliado de peso: o presidente Lula, que decretou “Sarney não é uma pessoa comum”. E tem razão ao dizer isso, pois Sir Ney, além de ser o dono do Maranhão e do Amapá, é imortal da Academia Brasileira de Letras (condecorado por Millôr Fernandes). Que Lula, que nada, Obama! Sir Ney é o cara!
Para quem acreditava que acabaria aí, mais denúncias. Dessa vez, vários atos misteriosos revelariam uma sociedade secreta operando dentro da casa.
E não eram apenas atos. Havia também duas contas secretas que funcionavam paralelamente aos recursos orçamentários do senado e que somavam a bagatela de R$ 3,74 milhões.

Mas não adiantou. Sir Ney perdeu apoio da base e até os DEMagogos começaram a pedir a sua saída.

E o clima esquentou de vez quando os seguranças de Sir Ney
declaram que o repórter do CQC “escorregou”.

Entre tapas e empurrões, um respiro: Corinthians campeão da Copa do Brasil...
E aí, Lula, dá pra negociar?

Até o PT “sugeriu” a Sir Ney que pedisse uma “licença temporária”,
mas Lula parece tinha a solução para tentar dissuadi-los.

O negócio era anular os 663 atos secretos... Mas como?

E Romário foi preso por não pagar pensão alimentícia... Aí, parceiro, rola um jeitinho brasileiro?

Ih, grampearam a neta do bigode... E agora?

É o trem da alegria bigoduda!

Aí Sir Ney resolveu censurar o Estadão, lembrando aqueles tempos remotos...

O juiz que censurou o jornal tinha ligações com a "famiglia" Sarney,
mas isso não quer dizer nada. O cara é isento...

A melhor defesa é o ataque. Nessas horas vale tudo. Até chamar o jornal de "nazista"...

Enquanto isso a palhaçada continuava firme no senado...

E o Belchior sumiu e depois apareceu. Não sei onde ele esteve, mas acho que sei a razão do sumiço...

Mas a paz ainda chegaria, com mais uma daqueles acordões com os tucanos...

O problema é que o estrago no PT já estava feito...

Suplicy, sempre rápido no gatilho, ainda tentou expulsar Sir Ney, mas o jogo
já tinha terminado,
com a turma da "governabilidade" ganhando de goleada...

E não teve jeito mesmo: a Fundação Sarney fechou as portas por não mais
condições de se manter... É que, sem a boquinha da Petrobras, ficou difícil...

E soube-se que a (a)fundação Sarney tinha promovido festas "calientes" com dinheiro público.
Mas, claro, tudo "dentro da mais abosoluta responsabilidade", segundo os organizadores... É que
houve distribuição gratuita de camisinhas... Até o Berlusca, lá da Itália, ficaraia com inveja.

E Fernandinho Sarney retirou a ação juducial contra o Estadão — só não
abriu mão de
no direito de continuar censurando o jornal...

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